CASA DE
CULTURA
CASA DE
CULTURA
No
conjunto de edifícios que no local antecederam o casino da Ericeira, existiu,
na primeira metade do século XIX, uma capela aberta ao culto e ali residiram
figuras da época, como o administrador do concelho, o vigário e o capitão
do porto. Em 1861 foi fundado o
clube recreativo Ericeirense que se instalou no prédio do futuro casino, nele
se realizando saraus artísticos-musicais de grande nível e peças de teatro.
No ano de 1919, o clube recreativo Ericeirense é extinto e transformado em Grande
Casino da Ericeira. Não obstante, a modesta arquitectura deste primeiro
casino, já ali existiam a roleta, banca francesa e outros jogos, quando tal
não havia no Estoril.
O segundo casino foi inaugurado em 1924. Além da grandeza arquitectónica, tinha interiores de grande riqueza e luxo de decoração, com os seus candelabros de latão polido e espelhos de cristal. Em 1927 o governo concedeu o monopólio do jogo ao casino de Estoril, que deu origem à extinção do mesmo na Ericeira. Num segundo fôlego o grande casino foi transformado em cine-casino da Ericeira. O cinema tinha capacidade para cerca de 300 espectadores, número que reflectia o critério de grandes cinemas. Nos anos 30 e 40, quando a rádio ainda dava os seus primeiros passos e só era acessível a uma minoria de pessoas, o casino emitia música de discos populares para o exterior, durante um período de tempo antes do início da projecção dos filmes, um contributo músico-cultural quase único nesta época, a nível local.
Desde os anos 30 e até meados dos anos 60, havia um ponto alto nas actividades do casino, quando eram levadas à cena as revistas teatrais. Estas revistas eram espectáculos musicados no estilo do Parque Mayer. O tratamento musical era apurado e apoiava-se em músicas de filmes e melodias em voga. Até ao aparecimento das boites e discotecas, a partir dos anos 60, havia soirées dançantes durante o verão, que eram frequentadas por gente de certo nível elevado, e atraíam pessoas de Mafra e Sintra. O cine-casino também não escapou à crise latente que vinha atingido os cinemas comerciais e encerrou as suas portas antes do fim da década 80. Acabou por ser adquirido pela Câmara Municipal de Mafra, que optou pela sua transformação em Casa de Cultura. O avançado estado de degradação do edifício e falta de estruturas resistentes ditaram a sua demolição total, tendo as respectivas obras começado em 1989. A reconstrução do edifício, respeitando a arquitectura da sua fachada original terminou em 1995 e foi inaugurada a Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva no dia 31 de Julho 1995.
Fonte: Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva - apontamentos para a sua história (C.M.M.)